Brava dos Açores

Entidade Gestora do Livro Genealógico

Direção Regional da Agricultura, Veterinária e Alimentação

Informação sobre a raça

No mais antigo documento régio referente aos Açores, que data de 2 de julho de 1439, é dada permissão ao Infante D. Henrique para mandar povoar e lançar gado nas ilhas dos Açores.

A meados do século XV iniciou-se a colonização dos Açores, tendo sido “trazido” gado “bravo” e gado “manso”. Alfredo Sampaio relata que a raça Brava foi importada pouco depois de povoada a ilha e aproxima-a do Ribatejo, por semelhança de caracteres fenotípicos.

No período em que os diferentes Reinos se debatiam por território, em que os espanhóis tentaram invadir a ilha Terceira, e tendo em conta o descrito por Gaspar Frutuoso, o gado existente na ilha, terá tido um papel importante na resistência dos terceirenses à invasão da armada espanhola, a 25 de julho de 1581, tornando-se assim um marco na história local, conhecido como a “Batalha do Porto da Salga”.

Esta batalha, descrita por Francisco Ferreira Drumond nos seus “Anais da Ilha Terceira”, faz referência a Brianda Pereira, uma corajosa mulher que liderou uma largada de grande quantidade de gado bravo contra os espanhóis, provocando o pânico com o inesperado ataque e demasiadas baixas, impedindo-os assim de concretizarem o seu objetivo de invasão do território.

Popularmente foram tidas duas designações que permitiam proceder à distinção do gado, consoante a zona de pastoreio onde os mesmos se encontravam: “Gado de Baixo” e “Gado de Cima”.

O “Gado de Cima” pastoreava no interior da ilha, nas zonas desabitadas, na sua maioria de elevada altitude e difícil acesso. Estes animais eram conhecidos como “Gado Bravo do Interior”, que não produziam leite, nem eram utilizados para os trabalhos agrícolas. Estes animais que foram “largados” no interior da ilha, mesmo sem que pertencessem à raça brava, tornavam-se bravios, pela falta de contato com os humanos. Nestes terrenos “de cima”, onde a alimentação para estes animais era de características muito particulares, os cruzamentos ocorreram sem qualquer controlo humano, permitindo assim que se reproduzissem sem que fosse contemplado um objetivo reprodutivo e produtivo por via da seleção dos criadores do século XIX

O gado bravo começou a ser utilizado para o divertimento da população que se encontrava isolada nas ilhas, rodeadas pelo oceano atlântico, que por si só constituía uma barreira impeditiva do contato entre os Açores e o exterior. Esta “barreira sanitária”, criada naturalmente pela geografia dos Açores, pelo meio ambiente existente, pela alimentação e maneio, proporcionaram a estes animais características que os diferenciam do primeiro gado bravo e bravio que colonizaram a ilha.

A primeira referência à tourada à corda surge, apenas, em 1622, por ocasião das celebrações, em Angra, da canonização de São Francisco Xavier e de Santo Inácio de Loyola. Nessas celebrações “correram-se” toiros de corda pelas ruas da cidade.

Atualmente, estes animais são utilizados para as tradicionais touradas à corda, que decorrem de 1 de maio a 15 de outubro, sendo que na ilha Terceira ocorrem mais de 200 touradas no período do ano referido.

 

Padrão da Raça

Os animais desta raça apresentam as seguintes particularidades fenotípicas:

  • Corpulência – Evidenciada geralmente por serem animais de esqueleto fino, elipométricos e brevilíneos, de pequena a média talha, de barbela reduzida, particularmente menos volumosos e mais ágeis quando comparados com outros exemplares da raça bovina Brava.
  • Pelagem – Embora o predominante seja a pelagem preta, as pelagens simples são todas possíveis, com exceção da cor branca. Admite-se uma variedade pelagens compostas e mistas. Todos as variantes de pelagens (simples, compostas e mistas) podem apresentar particularidades sem sede fixa como sejam, o raiado, o salpicado, o interpolado. Particularidades com sede fixa, temos, o caipirote, boquidourado, o caraça, o silvado, o estrela, o albardado, o aldinegro, o bragado, o listão, o lombardo e o meano.
  • Cabeça – Predominantemente com perfil frontal subconvexo a reto, com focinho estreito, que habitualmente se designa por “focinho de pato”.
  • Hastes – Maioritariamente as hastes dirigem-se para cima, cornialto, ficando as pontas perpendiculares ao solo, podendo ocorrer outras formas e orientações.
    • Cor – predominantemente hastibrancas (branca da base às extremidades, negras nas extremidades);
    • Grossura – predominantemente hastifinos (hastes delgadas);
    • Forma – Na sua maioria veletos de córnea (os cornos crescem um pouco para fora e imediatamente para cima). Os animais com córnea assimétrica (bisco) são vulgares. Nas fêmeas é vulgar a córnea fechada.
  • Cauda – Na sua maioria apresentam cauda fina até ao nível do curvilhão.
  • Membros – Os animais apresentam membros finos e fortes, unhas rijas devido ao piso em que habitualmente se encontram, nomeadamente um solo composto por biscoito (piroclastos).
  • Temperamento – Como paradigmático dos animais de raça brava, apresentam temperamento nervoso e de grande agressividade, com ímpeto e muito andamento, codiciosos, com grande propensão para a procura do vulto, com investidas entrecruzadas, assimétricas e inconstantes. Acometem a distâncias curtas ou médias e as investidas são retas ou de fuga em meia altura ou alta. A distância de fuga é maior do que os restantes animais da raça brava.
  • Adaptabilidade – Animais muito rústico, com grande capacidade de adaptação às condições edafo-climáticas das zonas altas e de interior das ilhas dos Açores.

 

Área de Dispersão

Inicialmente esta população teve origem na ilha Terceira. No entanto, e por questões culturais, já existem animais desta população dispersos por sete das nove ilhas dos Açores, nomeadamente nas ilhas de São Miguel, Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico, Faial e Flores.

À data de 26 de março de 2025, existem 54 criadores, num total de dois mil cento e quatro (2 104) animais, dos quais 767 são fêmeas registadas no Livro Genealógico de Adultos, 434 fêmeas registados Livros Genealógico de Nascimentos, 574 machos registados em Livro Genealógico de Adultos e 329 machos registados em Livros Genealógico de Nascimentos.